quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Análise do filme-documentário "Janela da Alma" (2001) de João Jardim, em relação com o trabalho do ator.


A visão. O filme, essencialmente, trata da visão que temos – ou que deveríamos ter – além das coisas concretas, as entre-linhas, aquilo que você só encontra olhando para si e para fora. É possível distinguir o olhar do ver, porque o que você está olhando não é necessariamente aquilo que você vê.
O filme traz diversos depoimentos de pessoas, entre elas fotógrafos, cineastas, atores, músicos e poetas abordando temas como deficiência visual e a capacidade sensorial de perceber o mundo e as pessoas ao redor; a sensibilidade interna e a imaginação que transborda através dos olhos para as coisas já construídas do mundo externo e como essas coisas são relevantes em um trabalho, como no caso da cineasta Marjut Rimminen que transformou sua frustração de vida numa carreira artística brilhante; história assim já conhecida no meio artístico, desde Van Gogh e muitos outros.
O título tem, sem dúvida, bom gosto pois o olhar discutido no filme, na fala dos “entrevistados”, é um olhar infinito, o que fica claro no depoimento de um dos poetas e o exemplo utilizado me pareceu bem familiar: como quando olho em um espelho que está à minha frente e há um outro atrás de mim e logo é refletido outro, depois outro e mais outro, assim sucessivamente.
O que realmente me interessou foi o olhar para fora, recolhendo os dados e anúncios, expostos e prontos; reinterpretá-los de maneira a retirar apenas o que lhe serve de bom ou ruim, amigável ou terrível (dependendo do que se busca) e à isso somar uma imaginação sua, que transforme o que antes já estava pré-determinado. Quase como o cego faz para sentir ou interpretar o que ele toca/ escuta, porém ele faz com uma velocidade desconhecida por mim.
A cena final do filme-documentário é de um parto normal, onde mostra o recém-nascido chorando e abrindo os seus olhos pela primeira vez, onde novamente o diretor acertou em cheio, porque é a partir desse momento que vamos ter um longo aprendizado, que influenciará se vamos apenas olhar as coisas ou se vamos realmente ver além das coisas.

Um comentário:

Thiago Teixeira disse...

Engraçado ver coisas nessa análise que eu não tinha visto.