
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.

"Os hippocampus eram seres fictícios da mitologia grega, filhos de Poseidon. A parte superior de seu corpo era a de um cavalo com crina membranosa, guelras e membranas interdigitais nos supostos cascos, e sua parte inferior era de um golfinho. Os Hipocampus eram empregados pelo Deus dos Mares em sua maioria na espionagem e na patrulha por seu reino oceânico em busca de empecilhos; também eram conhecidos como cavalo marinho"."A realidade, embora me enjoe, também me serve. Mantenho os olhos disfarçadamente abertos - clandestina - depois os fecho definitivamente e reinvento modalidades cabíveis. Só não me ausentei ainda porque sou eu quem escolho o que quero dos dias e das pessoas que me chamam pelo nome. As vezes, finjo que não as ouço. E não ouço mesmo. Manter-me viva, noite após noite, até que me envaidece, porém, se me tivessem oferecido alguma opção eu escolheria transitar por um lugar estranho que satisfizesse meu egoísmo passageiro. Carrego comigo uma lista de felicidades e impropérios, são meus objetivos surreais. Algumas imagens me bastariam, delírios passageiros no deserto que eu inventei para não morrer cedo e intacta."
(Ivana Debértolis, escritora, Londrina/PR)
www.ivanadebertolis.blogspot.com
Segue o link, vídeo do conto, narrador-intérprete a atriz Maria Luísa Mendonça, programa "Contos da meia-noite" da TV Cultura: