Pausa dramática pelas vítimas do Haiti e também pelos vivos que lá estão. Sou um deles. Por não deixarem escolher: as minhas escolhas são as marginais e eles vão rir. Não quero consumir o que consomem e consumo, riem ainda mais.... pobrezinho! Aos cabeludos, às meninas de lábios vermelhos, aos tatuados, aos amantes do mesmo sexo, aos meninos de shorts curto, aos maconheiros, às meninas gordas de dentes amarelos, aos circenses que estão na rua, aos artistas plásticos que desenham no papel pequeno, aos cineastas que filmam por dez minutos, aos atores sem teatro, aos poetas e jornalistas de blog e tantos outros excluídos. E perguntem aos Haitianos o que querem gritar, e perguntem aos jovens o que querem dizer. Veja só o teu sobrinho Rosa que coisa mais feia, quer fazer graça. Me deixem escolher, por favor me deixem escolher. Tudo o que tenho até agora fiz sozinho, ó Haiti. Não o ignorem.
(J. Larios, 17)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Eu ainda vou acreditar no ser, ainda que ele me cuspa na cara e zombe de alguma coisa que lhe provoque a morte, são assim os seres. Os seres querem saber de tudo e vão se esgotando. Acredito nos olhos puros de quando estão caindo de amor. Dá pra rir ao deparar-se com aquela topeira auto-destrutiva apaixonada, dá pra chorar de emoção. Interessante mesmo é observar todas as suas construções, as sacolas plásticas, as línguas estrangeiras, a vaidade e locomovem-se até... Querem manter-se atuais e ter tudo aquilo que não precisariam.
E depois de tantos atentados de corrompimento preservam uma beleza viva, porém não acreditam nela, em nada que seja de si mesmos. Até parece uma necessidade de sentir necessidade de, uns dependentes. Logo logo vão se acabando, ficando os que acreditaram em se cuidar e cuidar de um e de um outro também.
(F. Urão)
E depois de tantos atentados de corrompimento preservam uma beleza viva, porém não acreditam nela, em nada que seja de si mesmos. Até parece uma necessidade de sentir necessidade de, uns dependentes. Logo logo vão se acabando, ficando os que acreditaram em se cuidar e cuidar de um e de um outro também.
(F. Urão)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
mata
mata a mata
mata
mata a mata
mata também quem mata a mata
mata esse e mata esse aqui também
mata que logo mata alguém
mata mata
mata a mata
que ela não mata ninguém
mato
mato o mato
mato
mato mato
mato também quem matou o selvagem do mato
mato esse e esse aqui também
mato porque ele logo mata alguém
mato mato
mato o mato
e mato a mim também
sábado, 26 de dezembro de 2009
Ao entrar no quarto de Débora vê-se cinco coisas: a cama no canto esquerdo, a parede decorada coberta por papel, a outra parede desenhada, a cômoda coberta por papel, a instalação auto-biográfica.
Na entrevista do vídeo perguntamos o que era aquele objeto para ela, já retirando a simples visão de objeto. Débora é do tipo que não sabe ser natural quando filmamos, ela ainda canta, dá longos intervalos de silêncio, pensando no que poderia responder naquela pergunta tão óbvia, tão dela mesma. Enfim, responde: "Talvez seja por culpa dele [o colete]"
Na entrevista do vídeo perguntamos o que era aquele objeto para ela, já retirando a simples visão de objeto. Débora é do tipo que não sabe ser natural quando filmamos, ela ainda canta, dá longos intervalos de silêncio, pensando no que poderia responder naquela pergunta tão óbvia, tão dela mesma. Enfim, responde: "Talvez seja por culpa dele [o colete]"
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
[...] que era um homem e não gostava de poesia pela metade; ficava difícil de decifrá-las. O que entendia ele dele mesmo? Nada, não sabia porque calçava o mesmo par de sapatos pela manhã e nem porque a lâmina que usava para fazer a barba quando chegava em casa era azul. Mas tinha que ser rápido e barulhento, com ritmo forte, grande, de modo a não prestar atenção em nada e ninguém: "é assim a vida, oras!". E só se cansava de viver ele mesmo: "ai que canseira" resmungava [...]
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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